Tudo começou no início da década de 80. Eu falo que começou lá, porque, apesar de já ouvir música antes, foi em 83 a minha primeira compra relacionada a música.Comprei de um amigo meu (Teirão) uma fita K7 Basf (aquela amarelinha).E podem acreditar, eu a tenho guardada até hoje. Daí pra frente é uma longa história...
Como moro no interior, sempre foi muito difícil pra conseguir discos e fitas. (naquele tempo era o que se usava) Sempre que podia eu comprava uma fita nova, pra ouvir no som do meu irmão. Ou então gravava nas 2 FMs que pegavam por aqui na época, a Cultura FM de Uberlândia e Cancela FM de Ituiutaba. E assim foi até o final dos anos 80 , quando finalmente consegui comprar meu primeiro aparelho de som com toca-discos.Um 3x1 Toshiba. Aí complicou mais ainda, pois aqui em minha cidade só tinha uma loja de discos, e ainda por cima eles não vendiam os discos, apenas gravavam em fitas. E pra piorar eu não tinha grana pra encomendar de fora. Como sempre fui viciado em música, desde pequeno, fazia o possível pra conseguir as músicas que gostava. Sempre que podia eu torrava parte do salário mínimo que ganhava pra comprar um disco novo ou gravar outra fita. O vinyl tinha a vantagem de ser mais durável e possuir um som até hoje não superado. Já a fita tinha a vantagem de poder ser gravada na hora, aqui mesmo e só com sons que eu quizesse.
Aí eu já gastava metade do meu salário com fitas e ¼ dele com discos. Já no início dos anos 90 passei a comprar mais discos, pois estava sempre indo em Uberlândia pra namorar. Na verdade acho que foi mais uma desculpa pra ir buscar 1 ou 2 discos a cada 15 dias do que namorar propiamente dito, pois namorada eu tinha aqui mesmo. Acho que uni o útil ao agradável. A cada quinzena eu ia em udi namorar e aproveitava e trazia alguns vinyls.Um namoro terminou e logo começou outro, e eu comprando discos. Quando terminou de novo eu comecei a ir sempre visitar meus tios, e tome discos na bolsa de volta.
Nesse tempo era diferente. As coisas demoravam mais pra acontecer e conseqüentemente pra acabar. Se você comprava um disco, ele fazia sucesso 1 ou 2 anos, ou até mais. A gente reunia os amigos(meu irmão David, Walter, Rui, Armando, Nando e o saudoso Charlão – que Deus o tenha) sempre que eu comprava um disco, pra ouvi-lo, de preferência no último volume, pois esse sempre foi meu volume preferido. E como minha mãe era a mais compreensível de todas, a turma toda se reunia sempre em minha casa pra tomar cerveja e ouvir algo que não fosse sertanejo, afinal nos bares era impossível ouvir o som que a gente gostava. Eu fui o primeiro de minha cidade a fazer uma coisa muito comum hoje, colocar o som fora de casa, com o volume no talo e ‘’perturbar os vizinhos.’’ Até aí eu ainda nem sonhava em ser DJ ou ao menos sabia sobre mixagens e tals. Isso até eu conhecer e fazer amizade com outra pessoa da minha cidade que também curtia os mesmos sons e no mesmo volume que eu, e ainda com o privilégio de ter um poder aquisitivo melhor (meu amigo Amauri). Um colega de escola (André) comentou com ele que eu tinha um vinyl que ele gostava muito mas não tinha. O álbum duplo ao vivo do Depeche Mode, chamado 101, que incluía o sucesso ‘‘i just can’t get enough’’,pista cheia desde os tempos da Perfeisom 2 do amigo Lázaro, que começou a toca-la depois de insistentes pedidos meus.Como o Amauri morava de frente ao clube, ouviu a música e através dela fizemos amizade. Graças a esse detalhe, a história da música em Campina Verde mudou, não sei se pra melhor ou pra pior, mas que mudou, mudou
Como a grana não sobrava pra mim(pois estava no meu primeiro casamento e ganhava pouco), passei a dividir a compra de discos com o Amauri, que também começara a buscar em Uberlândia alguns piratinhas na Look Som, loja do primeiro DJ que apareceu na região, o DJ Wilsom Menescal. Agora sim a gente passou a ter idéia do que era uma mixagem. Logo surgiu em minha cidade as primeiras pick ups. No 13 de Maio o DJ Wagner(QUE HOJE RESIDE EM UBERLÂNDIA E É UM DOS MEUS MELHORES AMIGOS) já começava a fazer suas primeiras viradas com um par de MK 2 da technics, enquanto na casa do Amauri a gente trupicava feio as batidas, com um par de toca-discos CCE , que além de sair muito lento ainda não segurava o pitch. Mas de certa forma já era um bom começo. E foi assim que começou minha história como DJ...Nessa época, juntamos 3 cabeças pra fazer festas, o Totó entrou com seu primeiro som, o Amauri com um mixer daqueles de crosfaders de botões e o par de toca-discos CCE e seus poucos vinyls e eu com os vinyls que serviam pra boate. Algum tempo depois comecei a trabalhar aos domingos numa radio pirata(Nova FM) fazendo sonoplastia pra um locutor amigo meu (Sérgio Frapton) e depois passei a fazer meu próprio programa denominado ‘‘mixto-quente.’’ Mas eu sou muito auto-crítico e locução pra mim não tinha nada a ver, e eu soube separar o joio de trigo, ao contrário do que vejo hoje, o cara falando que é DJ, sem ter noção alguma do assunto.
Já em meados de 97,98 o Amauri resolveu montar seu próprio som e me convidou pra ajudá-lo, e logo de cara ,pegamos a extinta Boate Latitude pra tocar. No ano seguinte veio o 13 de Maio, agora já tocando com bons equipamentos como o CD duplo da Denom.
Foi tocando no 13 que também comprei minha primeira CDJ 100s Pioneer, e no mesmo tempo saí do 13 de Maio.
Foi nesse tempo que novamente fui o primeiro a fazer outra coisa muito comum hoje.Coloquei um fusca num som, é isso mesmo, um fusca num som, e fazia o maior movimento com as músicas que gostava, só que desta vez, já mixadas por mim.
Nos finais de semana passei então a me dedicar somente à meu outro projeto, um programa de rádio no qual eu mixava ao vivo enquanto meu amigo Fernando Medeiros fazia a apresentação. Esse Programa chamava-se Contato Imediato e foi daí que eu comecei a fazer o CD com o mesmo nome e que parou no vol.7 e hoje está engavetado. Durante esse tempo tocava também em festas alternativas ,fora do 13 de maio, ora na Latitude, ora no UTC ou mesmo festa particular em residências.
No dia 27 de Dezembro de 2002 houve outra revolução em Campina Verde no que se refere a música/shows e boates, pois foi nesse dia que o Engenheiro Civil Eymard R. Chaves inaugurou uma boate nova e com cara de capital, e que colocou Campina Verde num patamar privilegiado se comparada a qualquer cidade do interior. Nascia neste dia o OKLAHOMA PUB, o sonho de consumo de qualquer DJ que se preze. Daí pra frente a história é quase sempre a mesma. Dando espaço pra todo mundo mostrar serviço, a boate, inevitavelmente se tornou um sucesso, e logo que 2 empresários aqui da cidade (Sílvio e Lara) alugaram o OKLAHOMA por 2 anos, eu passei a ser o DJ residente, fazendo grandes festas ao lado de grandes bandas e DJs.Mas tudo tem o seu final e minha hist´ria no oklahoma terminou assim que a boate voltou as mãos dos donos. Mas agora para tudo...  vira a página...
Com a saída do oklahoma, passei a fazer festas na A.A.B.B. (que estava fechada a mais de 10 anos) e novamente a participei diretamente de uma outra revolução no esquema de festas na região, pois começava ali na A.A.B.B. a parceria dj daniel e equipe treme terra. A primeira equipe da região especializada em boate automotiva. Criticada por alguns e elogiada por muitos , a parceria foi um sucesso absoluto. Os remixes e músicas feitas por mim para a equipe se tornaram sucesso não só aqui , como no brasil inteiro(dj Daniel toca pra galera ,no som da treme terra ,piriguete e cinderela), e com isso passamos a levar o nome Campina Verde ,cada vez mais longe, tocando pra mais de 50 cidades e fazendo cds personalizados no mesmo "nipe" dos cds treme terra, pra todo Brasil e até pro exterior. Com humildade sempre, e procurando ajudar a cada contratante, seja produzindo um cd, um comercial/spot ou tocando sempre o que a maioria gosta de ouvir, a gente foi ganhando cada vez mais espaço e tocamos ao lado dos maiores nomes nacionais, como: Milionário e José Rico,Jorge e Mateus, Victor e Leo, Luan Santana, Zé Henrique e Gabriel, Rick e Renner, João Carreiro e Capataz, Maria Cecília e Rodolfo,Chitãozinho e Xororó,Christian e Ralf, Nashville, Marco e Mario, Diego e Ricardo,João Victor e Raphael,Tchakabum...
Hoje eu posso falar que minha vida mudou muito e graças a DEUS ,pra melhor, pois estou muito bem no meu segundo casamento (cujo a esposa Simone incentiva e muito o meu crescimento profissional). Nos finais de semana eu sou DJ, nos outros dias a noite eu faço cds personalizados pra equipe ,carros e lojas e durante o dia eu tomo conta da minha loja de conserto,compra e venda de bikes novas e usadas, e nas horas vagas faço produções no Sound Forge e fl, que aprendi a usar vendo meus amigos JC e Fernando Medeiros produzindo comerciais no tempo que fiz propaganda volante. Tenho muito orgulho de ver meus remixes sendo tocados por grandes DJs e até mesmo fazendo parte de seus cds.Hoje as mesmas rádios que eu usava pra gravar minhas primeiras fitas K7, estão tocando meus remixes, e isso me incentiva a sempre querer melhorar a cada dia. Hoje toco com o CDJ 800 e um mixer DJM 600 ambos da Pioneer.
Nota: tenho 39 anos até junho de 2011, sou casado, e tenho um filho, do primeiro casamento, e sem perceber tornei meu filho DJ ao batizar. Seu nome: Daniel Júnior ou DJ.Do segundo casamento tenho um filho que ja da seus primeiros passos no mundo da música, cantando músicas ,como a da tomahawk e algumas vinhetas de som automotivo.E vem aí mais um herdeiro que deve nascer em julho de 2011.